sexta-feira, 27 de maio de 2011

Novos municípios: a equação que não fecha

O Maranhão tinha 136 municípios. Os deputados – nossos diletos representantes na Assembleia Legislativa que velam pelo bem comum - acharam pouco e criaram, em 1995, mais 81 municípios. Pequenos vilarejos foram transformados em cidades. Dezesseis anos depois, continuam nadando na mesma miséria. Dinheiro público descendo pelo ralo, verbas oficiais do interior voando feito passarinho sob o céu da especulação imobiliária na capital, cheques tocando enchentes, emendas vazando na fissura das estradas, promissórias escorrendo na cabeceira de pontes que jamais foram construídas.

Mais uma vez, cidadãos de pacatos povoados se enchem de esperança por dias melhores. No fundo, desconfiam que a sorte mora ao lado, no município-mãe, ou lá no fundo do fundo de participação da mãe-prefeitura.

Embora criados em 1995, os 81 municípios só foram instalados oficialmente em 1997, com a posse dos primeiros vereadores e prefeitos. Em 1999, na condição de repórter especial do jornal “O Estado do Maranhão”, produzi uma reportagem de avaliação dos primeiros dois anos de existência das novas unidades político-administrativas do Estado. Na companhia do repórter fotográfico Biaman Prado, pesquisei o processo de criação dos municípios, desde a sua origem em 1989, cruzei estradas do Maranhão e visitei lugares em busca da informação necessária para que o leitor tirasse as suas conclusões.

Da reportagem, publicada no dia 24 de janeiro de 1999, depuram-se algumas constatações:

- Os novos municípios entravam para a história em janeiro de 1997 sem nenhuma dívida. Ou seja, sem qualquer conta a pagar, cenário ideal para uma gestão planejada;

- Sem qualquer receita própria – geração de impostos, por exemplo – os novos municípios passavam a depender integralmente de repasses de recursos federais, para pagamento de folha, custeio e investimentos em obras e programas sociais;

- Poucas evidências de gestão pública equilibrada;

- O desmembramento, via de regra, decorria de uma espécie de divisão familiar de poder: o povoado escolhido para emancipação atenderia a uma conveniência de grupos políticos ou familiares locais;

- Casos de cassação de mandato, afastamento de prefeitos, tentativas de golpes nas câmaras municipais e nos tribunais;

- O caso mais emblemático da reportagem foi identificado em Bom Jesus das Selvas, município desmembrado de Santa Luzia. Ali, após uma sequência de embates entre o prefeito-padre José de Ribamar Silva Moraes e o vice-prefeito-pastor Pedro Fernandes Silva, o que se viu foi uma enxurrada de irregularidades, como atraso no pagamento de salário do funcionalismo, contratações ilegais, desvio de dinheiro público para a conta pessoal do gestor municipal e – o que é pior – pagamento de um aborto com cheque da prefeitura.


Até ali ainda não havia a figura do Boca Quente e outras aberrações jurídicas a que estamos assistido nos últimos anos. Claro que meter a mão no jarro da viúva não é privilégio apenas dos administradores dos novos municípios. A prática é velha conhecida no interior do estado.

Hoje são 217 municípios. E os 42 deputados querem fatiar o Maranhão e eleger mais do que 217 prefeitos. Há mais de 100 lugarejos na fila de espera dos gabinetes da Assembleia. Há quem preveja São José das Varas desmembrado de Barreirinhas. Três Rios do Maranhão já não cabe mais em São Raimundo do Doca Bezerra. E São Paulo do Maranhão pode se emancipar de Bacuri. Crioli, Ebenézia, Faísa e Ibipira também são outros polos com promissoras chances de desenvolvimento, de acordo com o critério técnico e outras fufuquices do parlamento.

Criar novos municípios, portanto, gera uma conta que insiste em não fechar. Para os deputados que atualmente defendem a emancipação, o que importa são os números de agora, e não a equação de amanhã. Será que a solução é dividir a máquina? Ou o problema está nos maquinistas?

O povoado de São Francisco um dia será desmembrado de Cidelândia, que se desmembrou de Imperatriz. Itinga do Maranhão pertenceu a Açailândia, que já foi distrito de Imperatriz. O município da Raposa fazia parte de Paço do Lumiar, que pertenceu a São Luís, que pode perder agora Itaqui, Maracanã e Cidade Olímpica.

Até quando pretendem transformar o Maranhão em fração da fração da miséria? Redenção econômica não é uma simples operação matemática. Aumentar o número de municípios – alegam, por exemplo, que Minas Gerais é um estado próspero porque tem hoje 853 cidades – significa multiplicar os gastos públicos, com criação de cargos, estruturas administrativas adornadas por cabides de emprego, mordomias protocolares etc. Desenvolvimento é outra coisa.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

São Luís na passarela

O projeto de homenagem a São Luís por uma escola de samba – como pretende fazer a Beija-Flor por ocasião dos 400 anos de fundação da cidade, ano que vem - não é fato inédito. Em 2010, São Luís foi celebrada no asfalto pela escola paulista Unidos do Tucuruvi, que acabou não levando o título. A escola ficou em terceiro lugar, embora tenha levado nota máxima dos jurados no quesito samba-enredo.

O carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta alçou o seu primeiro grande vôo solo no Carnaval do Rio em 1974, quando deu o título de campeã ao Salgueiro, que levou para a avenida o enredo “O Rei de França na Ilha da Assombração”. Para contar a história sobre a invasão dos franceses e a experiência fugaz da França Equinocial na Ilha de São Luís, segundo conta Fábio Gomes no livro “O Brasil é um luxo”, Joãosinho Trinta lançou mão da fantasia irreverente e desenfreada que se transformou em sua marca oficial da folia.

Em 2002, São Luís mais uma vez estava presente no Carnaval carioca com o tema “Os Papagaios Amarelos nas Terras Encantadas do Maranhão”, também sob a batuta do maestro Joãosinho Trinta pela escola Grande Rio. O enredo destacava a visão do índio sobre os invasores, os “alourados e emplumados”, apelidados pelos tupinambás de papagaios amarelos. A Grande Rio ficou em 7º lugar no desfile do primeiro grupo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O correspondente


Recebi do amigo Aldionor Salgado, na caixa de email do sábado, 9 de abril, informação sobre a morte do veterano jornalista e radialista Reali Jr., aos 71 anos, vítima de enfarte em São Paulo. Aldionor relia no final de semana – e por isso me enviou a mensagem - “Às margens do Sena”, livro-depoimento de Reali Jr. a Gianni Carta publicado pela Ediouro em 2007.

Reali foi correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” e da rádio Jovem Pan em Paris por 38 anos. Manteve no seu apartamento, às margens do rio Sena e nas proximidades da torre Eiffel, uma espécie de embaixada informal do Brasil na França, por onde passaram presidentes da República, artistas, empresários e desportistas famosos. Pra conversar, beber, comer.

“Às margens do Sena” é uma saborosa leitura de final de semana e uma despretensiosa aula de jornalismo. São histórias verdadeiras, inspiradas e bem humoradas que revelam o grau de inventividade natural do repórter nato, do jornalista em tempo integral, do anfitrião afetivo, do apreciador da boa mesa e do vinho de safra festejada.

Foi viver na França pra fugir das tormentas da ditadura militar. Comunista inconfesso sob o olhar míope dos homens de farda, Reali Jr. deixou o Brasil no início dos anos 70 para armar barricadas de boas reportagens e boemia na capital de tantos exilados diletantes.

Em “Às margens do rio Sena”, Aldionor Salgado destacou trechos que remetem a cruzada parisiense de Reali Jr. a personagens do Maranhão. Logo no prefácio da obra, Mino Carta relembra a boa convivência com Reali e cita nomes evocados à mesa no tilintar das taças de tinto, como Cláudio Abramo, Pedro Cavalcanti, Rosa Freire d’Aguiar e Napoleão Sabóia. Segundo Mino Carta, a mãe de Napoleão segredara a Sarney a receita de uma tintura vegetal para cabelos precocemente encanecidos.

Napoleão Sabóia, que era correspondente em Paris do “Jornal da Tarde” e do “Correio Braziliense”, foi protagonista de uma situação hilária. Avisado de que teria um almoço-reunião com exilados e intelectuais de esquerda brasileiros no apartamento de Reali Jr., Napô resolveu levar a tiracolo um convidado ilustre. Antes, porém, telefonou para o anfitrião e perguntou: “Posso levar o Zé?” Ao que Reali respondeu: “Claro, traz o Zé”, sem saber exatamente qual era o Zé. Era José Sarney, na época presidente do PDS. Ao abrir a porta, o dono da casa ficou ao mesmo tempo surpreso e assustado com o que poderia acontecer naquele encontro regado a feijoada preparada com esmero por dona Amélia, a primeira-dama do apartamento.

“Mas Sarney, político com tarimba, comportou-se muito bem e até parecia ser um esquerdista entre os exilados. Apertaram-no de todas as maneiras possíveis, Sarney tirou de letra. Passamos uma tarde agradável”, relata Reali Jr. em seu livro-depoimento. No meio dos comensais estava o cineasta baiano Gláuber Rocha, idealizador do documentário “Maranhão 66”, que registrara a posse de Sarney como governador do Maranhão.

Pouco tempo depois de deixar a Presidência da República, Sarney visitou novamente Reali Jr. em Paris. “Nunca esqueci daquela feijoada”, teria dito o ex-presidente a dona Amélia. No depoimento a Gianni Carta, Reali diz que Sarney é “muito educado, aberto e conciliador”. O jornalista conheceu Sarney em plena campanha eleitoral para o governo do Maranhão, por intermédio do deputado ademarista Arnaldo Cerdeira. E diz que Sarney, após os compromissos políticos de rotina, frequentava com certa assiduidade as noitadas no Som de Cristal, famosa gafieira no centro de São Paulo. “Gosto do Sarney como pessoa, embora não aprecie o político”, relata Reali Jr. em “Às margens do Sena”.

Exemplo clássico de que muitas decisões importantes sobre o cotidiano político brasileiro eram tomadas literalmente às margens do rio Sena: foi numa soirée no apartamento de Reali Junior que a atriz Fernanda Montenegro encontrou forças para dizer não ao convite do então presidente José Sarney, que sonhava vê-la ministra da Cultura de seu governo, segundo conta o crítico de cinema Rubens Ewald Filho.

As referências de Aldionor Salgado apenas atiçam a vontade de quem se arrisca a reler “Às margens do Sena”, livro atual, leve e, em certa altura, arrebatador. Afinal, são histórias pitorescas, nuances da vida de quem empreendeu coberturas marcantes, como a Revolução dos Cravos em Portugal, a queda do franquismo na Espanha e a ascensão de Lech Walesa e o Sindicato Solidariedade na Polônia. E tudo vale mais a pena quando o livro se confunde com o cartão de embarque.

Aldionor Salgado fez chegar às minhas mãos, há poucos dias, preciosas folhas que se perderam lá se vão quase vinte e cinco anos: uma entrevista que fizemos com o lendário cavaleiro Luís Carlos Prestes. Mas isso é pretexto pra uma outra prosa.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Milson Coutinho renuncia à presidência da Academia de Letras


O desembargador aposentado Milson Coutinho renunciou na tarde de ontem à presidência da Academia Maranhense de Letras (AML). O pedido de renúncia, justificado por sérios problemas de saúde e recomendação médica, foi apresentado no dia 30 de novembro de 2010 e aprovado nesta quinta-feira em reunião da diretoria da AML.

Milson Coutinho havia tomado posse na presidência no dia 4 de fevereiro de 2010 para comandar a Casa de Antônio Lobo no biênio 2010/2011. Com a renúncia, assumiu a presidência o acadêmico Benedito Buzar, que concluirá o mandato até fevereiro de 2012. A eleição de diretoria da AML para o biênio 2012/2013 será realizada em novembro deste ano.

Milson Coutinho será submetido, nos próximos dias, a uma cirurgia de aneurisma na aorta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"400 Carnavais": louvação à folia de São Luís


Uma das novidades do Carnaval deste ano é o reencontro de artistas locais em um disco que reúne os principais ritmos da folia do Maranhão. O CD "400 Carnavais", que tem lançamento programado para os próximos dias, traz nomes como os de Alcione, Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Ronald Pinheiro, Gerude, Celso Reis, Djalma Chaves, Mano Borges, Alê Muniz e Luciana Simões, além de grupos consagrados como Bicho Terra, Jeguefolia, Vagabundos do Jegue, Cordão do Ponto Com e Bloco do Betto.

"400 Carnavais" é um disco de celebração a São Luís, aos artistas que cantam, divertem e amam a cidade e sua pintura de euforia. O CD, idealizado pela Clara Comunicação e com direção musical do cantor e compositor Betto Pereira, é a voz das ruas cantando em poesia ritmada - ora com irreverência, ora no calor da tradição - a chegada em 2012 do Quarto Centenário de fundação da capital dos maranhenses.

O CD tem 15 faixas inéditas com batidas que remetem ao bloco tradicional, ao frevo, à marchinha, ao tambor de crioula, ao merengue e ao reggae. A cantora Alcione abre o disco com o batuque de bloco "Temperô", parceria de Betto Pereira e Celso Reis. "O disco é uma forma de promover ainda mais a música de qualidade produzida no Maranhão", explica Betto Pereira. Segundo ele, o CD materializa um projeto antigo de vários artistas e que deve ter desdobramentos promissores no que diz respeito à divulgação e promoção da música do Maranhão Brasil afora.

O diretor da Clara Comunicação, Félix Alberto Lima, que também assina a direção executiva do CD, afirma que o que motivou a agência de comunicação a acreditar no projeto foi o diferencial do Carnaval de São Luís, simples e visualmente atrativo que mistura lenda e folia, serpente e serpentina. "E o chão da praça, o tempero das ruas, o batuque de mina e o gemido da coreira, tudo no mesmo cenário", acrescenta. Sobre a qualidade musical do disco, Betto Pereira diz que "400 Carnavais" é um dos melhores CDs já produzidos no Maranhão. "O disco tem padrão nacional, gravado por músicos de expressão como Sávio Araújo, com conteúdo regional e elementos universais", frisa.

Os artistas que interpretam as 15 músicas estão programando um grande show de lançamento do CD, que deve acontecer na segunda quinzena de fevereiro. O disco não é um produto comercial, tem caráter meramente promocional e já pode ser ouvido, inicialmente, nas principais rádios do Maranhão.

Repertório:

1 – TEMPERÔ – Alcione (Betto Pereira e Celso Reis)

2 – XAVECO – Celso Reis (Celso Reis e Gerude)

3 – EU QUERO É MAIS – Carlinhos Veloz (Carlinhos Veloz)

4 – ADRENALINA – BICHO TERRA - Inácio Pinheiro e Roberto Brandão (Betto Pereira e Josias Sobrinho)

5 – ME LEVA – BLOCO DO BETTO - Betto Pereira (Betto Pereira e Félix Alberto)

6 – BAILARINA – Gerude, César Roberto e Fernando Sarney (Antônio Carlos “Pipoca” Lima - Gerude – Jorge Thadeu)

7 – MICK JEGUE – JEGUEFOLIA - Erlanes (Betto Pereira e Félix Alberto)

8 – BLOCO TRADICIONAL – Ronald Pinheiro e Fernando Sarney (Ronald Pinheiro, Nosly e Gerude)

9 – DOCE AMOR – Fabrícia (Betto Pereira)

10 – CHAPADINHA – Alê Muniz e Luciana Simões (Betto Pereira e Félix Alberto)

11 – MENINA MALUCA – Erasmo Dibell (Erasmo Dibell)

12 – LOVELAND – Artistas do disco (Betto Pereira e Félix Alberto)

13 – SWING BOM – CORDÃO DO PONTO COM - Djalma Chaves (Betto Pereira)

14 – QUEM SOU EU – VAGABUNDOS DO JEGUE – Wellington Reis (Wellington Reis)

15 – VAI DANÇAR NENÉM – MANOBLOCO - Mano Borges (Mano Borges)

(release Clara Comunicação)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

paz sem voz

Tá tudo tão estranho lá fora.

É melhor armar a cama na varanda.

Ou quem sabe preparar a cadeira de balanço para o futuro.





terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O melhor o tempo esconde


Já não se leva a vida no laço quando se chega aos 30 anos. A idade é um passo. É na curva dos 30 que se perde a rédea da distração, do sarro, da maresia. Aos 15, aos 20, aos 25 anos, qualquer emoção é um bom pretexto para driblar o destino, vagarosamente. Ali se faz a verdadeira tempestade em copo d’água. É só depois dos 30 que se ouve falar de apólice, coca light, ômega 3, imposto de renda, ração humana. Depois que se ultrapassa a barreira dos 30 o cinema é quase um albergue.

Não venha me dizer que alguém é sério aos 18 anos, que é maníaco depressivo aos 21 e que parou de beber e virou evangélico aos 23! Depois dos 30 todos querem voltar aos 20 anos. O espelho, porém, começa a fazer troça e não adoça mais o gosto da cereja. O medo dos 40? O peso dos 30 é igualmente doloroso!

Passa o tempo, passa a vida, o passo encurta e o ombro emite o primeiro sinal de parábola. A vida é meio serenidade, meio compromisso na idade decantada na literatura para compor o flamejante universo feminino. É na faixa dos 30 que o americano começa a sonhar acordado com a ideia fixa do primeiro milhão. Triste daqueles que nem chegaram aos 30. Não puderam experimentar a sensação da responsabilidade, da conta no final do mês. Não puderam ler jornal e nem batizar o filho do casal vizinho. Não foram ao supermercado sábado pela manhã. Nem ouviram música clássica. Não sabem de cor o capítulo da novela. Não beberam vinho no silêncio da noite mal dormida e nunca compreenderam exatamente qual o sentido da vida. E quem haverá de compreender?

Depois dos 30 a contagem é regressiva. A memória, uma armadilha: insiste em remexer com voracidade no baú das velhas músicas da década passada e no álbum de retratos dos acampamentos, das viagens de última hora, do beijo pela metade e de outras tantas carradas de paixão. Viva a máquina digital. No cristal líquido a imagem não amarela!

Aos 30 submergimos naquilo que se convencionou chamar de o primeiro ano do resto de nossas vidas. E, afinal, por que a vida desacelera quando mais se pretende decifrá-la em movimento? Só depois dos 30 é que se olha para trás. Todo mundo quer casa, filhos, comida e roupa com cheiro de lavanda. Depois dos 30 bate aquele medo da solidão, do caritó, da exceção do amor. Bate o medo da vida breve. Daí a ração, o ômega e o seguro. Daí os acasalamentos, as ressonâncias magnéticas, o guarda-chuva, o pára-quedas, a neosaldina. Metade Prozac, metade Balzac.

A propósito, já passei dos 40. Mas o retrovisor é qualquer coisa parecida com uma usina de reciclagem do tempo.

(foto: Meireles Jr.)