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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Maio oito meia (14) – A lábia arrebatadora de Agostinho Marques

Agostinho Marques era uma espécie de guru no circuito universitário da segunda metade dos anos 1980 em São Luís. Discorria com entusiasmada leveza sobre temas até então considerados tabus no meio acadêmico. Abusava de sua experiência e conhecimento ao filtrar conceitos rebuscados da filosofia para depois entregá-los, mastigados, a uma geração encurralada num labirinto de utopias e aflições. Agostinho Marques era o acadêmico tipicamente descolado, aqui e ali infiltrado entre estudantes, bolsa a tiracolo, barba desguedelhada e um discurso envolvente, instigante. Enchia auditórios e espalhava arrebatamentos na plateia, especialmente entre as mulheres. Foi esse pensador meio hippie, avesso a rótulos, que os editores do Tabefe escolheram para estampar a edição de janeiro de 1988 do jornal. A entrevista com Agostinho Marques é um compêndio ralo e raro de muitas palestras feitas por ele ao longo de anos no convívio quase simbiótico com universitários. Vamos a ela.

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Maio oito meia (13) - Com Prestes na praia do Araçagi

Para quem, como nós, alimentava o sonho de mudar o mundo, seja lá qual fosse essa mudança, Luís Carlos Prestes tinha a história pronta. Era experimentado nesse estranho ofício da revolução. Deveria ter algo a nos dizer, a ensinar, talvez. E ele estava em São Luís. Era a nossa chance. Veio a convite de Maria Aragão e de entidades sindicais para uma palestra na Biblioteca Pública Benedito Leite dirigida a estudantes e trabalhadores. Ficou três dias na cidade, de 8 a 10 de outubro de 1987. Foi numa sessão restrita de autógrafos do livro “Prestes, lutas e autocríticas”, na sede do PCB, à rua 13 de Maio, que o jornalista Aldionor Salgado nos deu a pista de que, no dia seguinte, Prestes se refugiaria numa casa na praia do Araçagi. Não sabíamos aonde exatamente era o local do refúgio, mas decidimos – eu, José Luís Diniz, Socorro Rios e Cidinha Pires (as duas, estudantes de Serviço Social) – que iríamos encontrar a casa pra fazer finalmente uma entrevista com o “Velho”, como ficou conhecido o comunista mais famoso do Brasil. E assim nos embrenhamos pelas matas do Araçagi até chegar ao destino. Depois de um certo tempo de espera, e já com a anuência de Aldionor, iniciamos uma longa conversa com Prestes, que muito nos marcou, devidamente gravada e reproduzida com fotos na edição de novembro de 1987 do Tabefe.

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Maio oito meia (10) - O jornal laboratório vai ao povo

A ideia de entrar para a universidade era o sonho de aprender mais, de abrir os horizontes do conhecimento. Era, sobretudo, o sonho de aprender a fazer, de por a mão na massa, a curto prazo descortinar a fábrica da academia. Os tempos de escola, das enfadonhas rotinas de aula e prova, haviam ficado para trás. Do grão em grão da teoria, rapidamente chegaríamos à prática. Mas o curso de Comunicação Social da UFMA, criado em 1970, tinha suas limitações – estruturais, tecnológicas etc. Até o final dos anos 1980 contavam-se duas salas de redação (equipadas com surradas máquinas datilográficas Olivetti, papel jornal A4 e folhas de carbono), um laboratório de fotografia, um laboratório de Relações Públicas e um laboratório de rádio.

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