A jornalista Flor de Lys tinha uma ligação afetiva com a equipe da Clara Comunicação. Em 2001, dias depois do atentado terrorista de 11 de setembro, após um café da manhã de trabalho, propus a ela uma entrevista para o portal claraonline. Ela topou de cara e ali mesmo, no restaurante do hotel, conversou descontraída e demoradamente com Letícia Cardoso e Gisele Brasil, que na época eram minhas alunas no curso de Comunicação Social da UFMA e estagiárias da Clara. A entrevista foi postada na seção Bolsa de Mulher. Confira.
“A gente está no mundo sujeito a isso: viver e morrer”
“Sempre achei que a vida era de todos e que nós devíamos fazer coisas boas para sermos notados”
“Acho chiquérrimo uma colunista social na minha idade, que já escreveu tanto diariamente, ter o luxo de escrever só aos domingos”
“Todo ano vou ao Miss Brasil em São Paulo, no Rio, trago a fita e faço aquele escândalo jornalístico”
“Sabe aquela Miss Brasil que fez mil operações? Ela vem pra cá para essa festa minha. Ela vai desfilar de biquíni para todo mundo ver que ela não tem uma marca sequer no corpo”
“Sou mais à vontade, faço como gosto, e agrado o povo”
“Cuido do meu cabelo, pinto minha sobrancelha, não posso aparecer tão horrorosa, parecendo uma lagartixa”
“Então me desgastei tanto que me deu dor no coração”
“Política pra mim liquida a pessoa”
“[Na política] a gente acaba com o que tem de pouquinho no banco e não ganha nada com isso”
“Se é para cobrir um casamento, vou fazer, não mando a conta. Tudo é de graça. Arrumo os meus patrocinadores. São fracos, mas dá pra passar”
“Sou a favor da guerra, sim. Ou arrebenta ou acaba! De qualquer forma a gente não vive em guerra e não derruba todo mundo?”
O pensamento vivo de Flor de Lys
A colunista Flor de Lys completa 40 anos de jornalismo e prefere não comemorar, afinal ela diz ser bastante supersticiosa. Mais que uma foto na parede da memória, ela é uma lenda, uma legenda no colunismo social do Maranhão. Começou a escrever sobre bailes de debutantes e outros eventos sociais nos idos dos anos 1960, quando uma parte da juventude brasileira ensaiava um desfile tosco nos porões da ditadura militar. Flor de Lys Fialho Félix nasceu em São Luís há 72 anos e fez opção ainda cedo, sob o sol e a sombra do estado novo, pelo caminho das festas. Começou a carreira no Jornal Pequeno, quando ele ainda era jornal de bolso.
Vaidosa, ela? A bolsa de Flor não passa sem lápis para sobrancelha, perfume e pente pequeno para assentar os cabelos loiros por causa do vento – o penteado é o mesmo desde o século passado. Mas o indispensável na sua Louis Vitton é dinheiro. “Nem que seja dez centavos, não pode faltar dinheiro na minha bolsa!”, revela. Confira o pensamento vivo de Flor sobre preconceito, política, fama, a obrigatoriedade do diploma de jornalista e os recentes conflitos internacionais.
Quem é a personalidade Flor de Lys?
Flor de Lys - Eu acho que é a maior de idade, aqui no Maranhão, como colunista. Porque primeiro foi a Maria Inês Sabóia, o Benito Neiva, que ainda hoje trabalha - e depois a Maria Inês infelizmente desapareceu da nossa terra. A gente está no mundo sujeito a isso: viver e morrer. Fiquei muito envolvida com a Maria Inês, com o trabalho dela e fui aprendendo muita coisa: como ela se comportava, como cumprimentava os amigos. Enfim, aprendi, fiquei colunista. Depois que ela se foi fiquei (colunista) mais ainda, me envolvi, porque me casei, tive filhos - um advogado e uma jornalista que trabalha em televisão como eu. Naquele tempo não tinha negócio de se formar não. Fazíamos nós mesmos.
Por ser mulher, a senhora sofreu algum tipo de preconceito no início de sua carreira?
Flor de Lys - Não, nunca sofri preconceito algum. Sempre achei que a vida era de todos e que nós devíamos fazer coisas boas para sermos notados. Se não fosse assim, ninguém fica notável. Então, vivo fazendo coisas boas, festas. Estou fazendo uma festa aqui no dia 30 [de novembro de 2001], a Noite das Personalidades. E lá é só gente importante, gente que já trabalhou, que já fez alguma coisa por nós, pela comunidade aqui de São Luís. E faço sempre no Quatro Rodas, se no dia 30 vocês quiserem vir...
E vai ser em comemoração à sua carreira também, nos 40 anos de jornalismo?
Flor de Lys - Não, que nada, eu não comemoro essas coisas que dá... [azar]. É isso aí, não gosto nem de falar a palavra.
Com o que mais a senhora acha que contribuiu dentro do jornalismo maranhense?
Flor de Lys - Contribuo muito com notícias, escrevo notícias sociais há muitos anos. Já conquistei credibilidade com o que digo. Nunca escrevi aquilo que não é certo. Se me mandam uma notícia que fulano de tal viajou tal dia e o avião caiu, mas eu não sei se é verdade, aí eu fico procurando por telefone. Só dou notícias certas. Então isso criou uma credibilidade muito grande do leitor aqui no Maranhão. Agora, escrevo a minha página social uma vez por semana, aos domingos, o que aliás acho chiquérrimo uma colunista social na minha idade, que já escreveu tanto diariamente, ter o luxo de escrever só aos domingos, a minha página bonita, bem feita, só moças da alta sociedade, 15 anos, casamentos lindíssimos... E viajo também, vou ao Rio, faço casamentos, trago para o meu programa social [na TV Difusora]. Não paro, vou buscar Miss Brassil. Inclusive estou com a ganhadora do Miss Brasil aqui no Maranhão. Todo ano vou para o Miss Brasil em São Paulo, no Rio, trago a fita e faço aquele escândalo jornalístico. O concurso é lindo, a Miss Brasil é linda. Sabe aquela Miss Brasil que fez mil operações? Ela vem pra cá para essa festa minha. Ela vai desfilar de biquíni para todo mundo ver que ela não tem uma marca sequer no corpo.
A senhora acha necessário o diploma para a prática do jornalismo?
Flor de Lys - Não, acho que não, porque a prática vale mais. O diploma tem as técnicas diferentes. Por exemplo, um jornalista hoje, diplomado, não vai se comparar comigo porque eu não sou formada. Mas tenho muita prática também, leio muito jornais.
O diploma não lhe faz falta?
Flor de Lys - De maneira nenhuma. O meu filho é formado em Direito, a minha filha em Jornalismo. Ele faz aquela página “Mhário Lincoln” no Jornal Pequeno. E a Orquídea Santos faz, todo domingo, um programa na TV Praia Grande. Ela tem a formação dela que acho que é muito diferente de mim. Sou mais à vontade, faço como gosto, e agrado o povo.
E se você tivesse a oportunidade de cursar agora uma faculdade de Jornalismo?
Flor de Lys - Acho que não dava mais porque era só perda de tempo. Já estou no fim do meu jornalismo, da minha etapa, 40 anos de jornalismo. Então, não adiantaria mais eu procurar aquelas teorias diferentes, isso não cabe pra mim. Eu vou falar uma palavra diferente e vão dizer: “Olha como ela está esnobe agora!” Sei que preciso aprender inglês, porque inglês eu gosto de usar, porque eu boto as notícias em inglês: “Don’t forget me, please!”, “I love you, my friend!”, que significa “Eu gosto de você, meu bem!”, e aí eu vou enrolando a todos.
Qual o perfil do seu público, tanto do leitor quanto do telespectador?
Flor de Lys - Não gosto de idealizar as coisas, porque sempre as pessoas ficam contra a gente.
A fama lhe causa algum constrangimento?
Flor de Lys - Não, sou a mesma mulher. Saio pelas ruas à vontade, nunca tive qualquer problema.
A senhora se acha vaidosa?
Flor de Lys - Toda vez que uma mulher vai à televisão parece linda, mas na rua... ih!! Mas a Flor de Lys não, pra onde ela sai é a mesma mulher. Sou vaidosa demais. Cuido do meu cabelo, pinto minha sobrancelha, não posso aparecer tão horrorosa, parecendo uma lagartixa, que eu sou muito branca.
Nesses 40 anos de carreira, qual a imagem que a senhora acha que tem com o público?
Flor de Lys - Acho que tenho uma imagem muito boa, porque o público todo me adora, toda a sociedade gosta de mim. Quando faço aniversário, fico uma semana recebendo presentes. Fiz uma operação, no Rio, botei duas pontes de safena de só de tanto trabalhar. O jornalismo em si puxa muito pela pessoa, porque tem de ser correto para se dar notícias corretas. Se fico sem telefone, tenho que ficar me ajudando, tá entendendo?! Então me desgastei tanto que me deu dor no coração. Fui ao Rio e a São Paulo e operei. Mas foram muitos os telefonemas e as mensagens que recebia doente. Aquilo foi um carinho tão grande que me ajudou a viver, a cicatrizar.
Hoje a senhora se sente realizada dentro do jornalismo?
Flor de Lys - Ah, me sinto! Graças a Deus em tudo eu estou realizada, tanto social ou não socialmente. Seja em casamento simples, as pessoas me convidam e dizem: “Olha, dona Flor, eu queria aparecer no seu programa”. Aí eu digo: “Vamos fazer!”. Aí ajeito para um estilo mais bonitinho, vou às lojas, coloco a noiva bonitinha e mostro no programa. Elas ficam tão felizes! Só que não dou pra política. Porque, agora mudando o assunto, política pra mim liquida a pessoa. Nunca quis. Todo jornalista que entra pra política nunca ganha. Nunca vi um jornalista político. Só os que trabalham para políticos, mas nunca vi um sendo deputado. Já recebi propostas, mas não aceitei porque acho que é um desgaste tremendo. A gente acaba com o que tem de pouquinho no banco e não ganha nada com isso. Ainda mais agora que a política está tão suja. É tanta gente importante presa, com CPIs soltas aí. Não vale a pena, não é?!
Mas a senhora faria campanha política para alguém?
Flor de Lys - Faria campanha pra [governadora do Maranhão] Roseana Sarney, para o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Manoel Ribeiro, que é muito meu amigo, gente fina. Eu amo ele! Amo ele, a mulher dele, os filhos! Por isso faço campanhas. Subo em palanques, se for possível. Dona Nice Lobão! Trabalhei muito por ela porque a adoro. Criatura maravilhosa! Então, acho que minha vida é muito boa. Tenho tudo o que quero e não exploro ninguém. Se é para cobrir um casamento, vou fazer, não mando a conta. Tudo é de graça. Arrumo os meus patrocinadores. São fracos, mas dá pra passar.
A senhora se acha uma pessoa caridosa?
Flor de Lys - Ah, não sou muito não.
A Flor de Lys é uma pessoa avarenta?
Flor de Lys - Sim, sou. Porque, por exemplo, para aqueles rapazinhos que vejo todo dia ali na porta do banco eu não dou dinheiro.
A senhora se considera a rainha da imprensa no Maranhão?
Flor de Lys - Não, não. Acho que tudo na vida é comum, a gente tem que dar o bem às outras pessoas, envolver as pessoas com coisas boas. Por exemplo, não exploro ninguém como tem muita gente aqui que reclama. Não cobro ninguém no meu trabalho. Sou uma funcionária federal, aposentada pelo TRE. Acho que o que ganho dá para eu não ficar esperando ninguém.
Como a senhora avalia o tratamento que a mídia vem dando ao conflito internacional pós-ataques terroristas?
Flor de Lys - Acho ótimo. Sou totalmente a favor do presidente dos EUA.
A senhora é a favor da guerra também?
Flor de Lys - Sou a favor da guerra, sim. Ou arrebenta ou acaba! De qualquer forma a gente não vive em guerra e não derruba todo mundo? Não mata muita gente?
terça-feira, 31 de maio de 2011
Flor de Lys: a poesia que o folclore não deixa ver
De todas as características da jornalista Flor de Lys, que nos disse adeus na silenciosa tarde do último domingo de maio, a que deixa rastro irretocável, quase definitivo, é aquela expressão de ternura, da tamanha simplicidade que não se apaga, do brilho no olhar inquieto. Fica na lembrança a marca da mulher autêntica, sem medo de se mostrar imperfeita, de barro e coração grande. De alma leve, atravessou o tempo com o seu jornalismo sem firula, sem filosofia, sem rodeio. E por isso mesmo não fez escola, mas deixa o legado da palavra honesta, sem o aparato dos dicionários, singela.
Flor de Lys não tinha o pudor peculiar dessas personagens pudibundas que se encontram com certa facilidade desenhadas na literatura das revistas de futilidades. Era de uma elegância pura, mas tão pura que, enquanto circulava pelas ruas de São Luís no banco de trás do carro (um Santana quatro portas, em boa parte da sua vida mais intensa e profícua), exigia que o motorista dirigisse com os vidros abaixados. Para evitar a maledicência do povo.
Não era uma pedinte. Nem foi uma pedante. Tinha o seu charme natural e sabia esbanjá-lo no varejo. Certa vez Flor de Lys surpreendeu a plateia do Teatro Arthur Azevedo ao sair da coxia para o palco, exuberante, suspensa num andor carregado por jovens musculosos, ao som de “O amor e o poder”, a música que alçou a cantora Rosana à fama. O refrão “como uma deusa” nunca caiu tão bem como naquela noite orquestrada pela revista Vanguarda, que tinha à frente o jornalista Alex Palhano. Eram os anos 1990 e Flor recebia a homenagem especial na festa de entrega do troféu da revista. Vanguarda foi uma revista de atitude que fez história no Maranhão, pela ousadia do editor e pela rebeldia no traço.
Flor de Lys caminhava acima das nuvens e fazia pouco caso do farto folclore atribuído a ela e ao Noronha na cidade. O folclórico em São Luís sempre foi a falta de atitude dos anônimos. Cafona era um adjetivo muito menor do que ela, que fazia jornalismo como distração, não como tese acadêmica. E no jornalismo não há tesão que sobreviva a uma tese rala.
A poesia em Flor de Lys não estava nas entrevistas que ela fazia para a televisão. Não eram os textos da coluna social que ela assinava nos jornais. Não ficava gravada nas fotos e nas legendas dos bailes de debutantes ou nos concursos de miss que ela cobria como um sacerdócio. A poesia está escrita na delicadeza dos gestos, que não requer pronome de tratamento. O coração fraquejou de vez no domingo, é verdade! Mas antes disso, há uns cinco anos, ela deixou partido o coração daqueles que freqüentavam a sua casa. Ao saber da morte de sua tartaruguinha de estimação, Flor de Lys chorou tanto – e sofreu tanto - que acabou sendo vítima de grave hemorragia em um dos olhos, doença que praticamente a tirou do combate das redações. Não há lirismo na doença, e poesia não é exatamente o peso de uma cruz ou o comprometimento da retina. Mas na Flor havia o lírio necessário, marejado, que o folclore é incapaz de enxergar.
Flor de Lys não tinha o pudor peculiar dessas personagens pudibundas que se encontram com certa facilidade desenhadas na literatura das revistas de futilidades. Era de uma elegância pura, mas tão pura que, enquanto circulava pelas ruas de São Luís no banco de trás do carro (um Santana quatro portas, em boa parte da sua vida mais intensa e profícua), exigia que o motorista dirigisse com os vidros abaixados. Para evitar a maledicência do povo.
Não era uma pedinte. Nem foi uma pedante. Tinha o seu charme natural e sabia esbanjá-lo no varejo. Certa vez Flor de Lys surpreendeu a plateia do Teatro Arthur Azevedo ao sair da coxia para o palco, exuberante, suspensa num andor carregado por jovens musculosos, ao som de “O amor e o poder”, a música que alçou a cantora Rosana à fama. O refrão “como uma deusa” nunca caiu tão bem como naquela noite orquestrada pela revista Vanguarda, que tinha à frente o jornalista Alex Palhano. Eram os anos 1990 e Flor recebia a homenagem especial na festa de entrega do troféu da revista. Vanguarda foi uma revista de atitude que fez história no Maranhão, pela ousadia do editor e pela rebeldia no traço.
Flor de Lys caminhava acima das nuvens e fazia pouco caso do farto folclore atribuído a ela e ao Noronha na cidade. O folclórico em São Luís sempre foi a falta de atitude dos anônimos. Cafona era um adjetivo muito menor do que ela, que fazia jornalismo como distração, não como tese acadêmica. E no jornalismo não há tesão que sobreviva a uma tese rala.
A poesia em Flor de Lys não estava nas entrevistas que ela fazia para a televisão. Não eram os textos da coluna social que ela assinava nos jornais. Não ficava gravada nas fotos e nas legendas dos bailes de debutantes ou nos concursos de miss que ela cobria como um sacerdócio. A poesia está escrita na delicadeza dos gestos, que não requer pronome de tratamento. O coração fraquejou de vez no domingo, é verdade! Mas antes disso, há uns cinco anos, ela deixou partido o coração daqueles que freqüentavam a sua casa. Ao saber da morte de sua tartaruguinha de estimação, Flor de Lys chorou tanto – e sofreu tanto - que acabou sendo vítima de grave hemorragia em um dos olhos, doença que praticamente a tirou do combate das redações. Não há lirismo na doença, e poesia não é exatamente o peso de uma cruz ou o comprometimento da retina. Mas na Flor havia o lírio necessário, marejado, que o folclore é incapaz de enxergar.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Novos municípios: a equação que não fecha
O Maranhão tinha 136 municípios. Os deputados – nossos diletos representantes na Assembleia Legislativa que velam pelo bem comum - acharam pouco e criaram, em 1995, mais 81 municípios. Pequenos vilarejos foram transformados em cidades. Dezesseis anos depois, continuam nadando na mesma miséria. Dinheiro público descendo pelo ralo, verbas oficiais do interior voando feito passarinho sob o céu da especulação imobiliária na capital, cheques tocando enchentes, emendas vazando na fissura das estradas, promissórias escorrendo na cabeceira de pontes que jamais foram construídas.
Mais uma vez, cidadãos de pacatos povoados se enchem de esperança por dias melhores. No fundo, desconfiam que a sorte mora ao lado, no município-mãe, ou lá no fundo do fundo de participação da mãe-prefeitura.
Embora criados em 1995, os 81 municípios só foram instalados oficialmente em 1997, com a posse dos primeiros vereadores e prefeitos. Em 1999, na condição de repórter especial do jornal “O Estado do Maranhão”, produzi uma reportagem de avaliação dos primeiros dois anos de existência das novas unidades político-administrativas do Estado. Na companhia do repórter fotográfico Biaman Prado, pesquisei o processo de criação dos municípios, desde a sua origem em 1989, cruzei estradas do Maranhão e visitei lugares em busca da informação necessária para que o leitor tirasse as suas conclusões.
Da reportagem, publicada no dia 24 de janeiro de 1999, depuram-se algumas constatações:
- Os novos municípios entravam para a história em janeiro de 1997 sem nenhuma dívida. Ou seja, sem qualquer conta a pagar, cenário ideal para uma gestão planejada;
- Sem qualquer receita própria – geração de impostos, por exemplo – os novos municípios passavam a depender integralmente de repasses de recursos federais, para pagamento de folha, custeio e investimentos em obras e programas sociais;
- Poucas evidências de gestão pública equilibrada;
- O desmembramento, via de regra, decorria de uma espécie de divisão familiar de poder: o povoado escolhido para emancipação atenderia a uma conveniência de grupos políticos ou familiares locais;
- Casos de cassação de mandato, afastamento de prefeitos, tentativas de golpes nas câmaras municipais e nos tribunais;
- O caso mais emblemático da reportagem foi identificado em Bom Jesus das Selvas, município desmembrado de Santa Luzia. Ali, após uma sequência de embates entre o prefeito-padre José de Ribamar Silva Moraes e o vice-prefeito-pastor Pedro Fernandes Silva, o que se viu foi uma enxurrada de irregularidades, como atraso no pagamento de salário do funcionalismo, contratações ilegais, desvio de dinheiro público para a conta pessoal do gestor municipal e – o que é pior – pagamento de um aborto com cheque da prefeitura.
Até ali ainda não havia a figura do Boca Quente e outras aberrações jurídicas a que estamos assistido nos últimos anos. Claro que meter a mão no jarro da viúva não é privilégio apenas dos administradores dos novos municípios. A prática é velha conhecida no interior do estado.
Hoje são 217 municípios. E os 42 deputados querem fatiar o Maranhão e eleger mais do que 217 prefeitos. Há mais de 100 lugarejos na fila de espera dos gabinetes da Assembleia. Há quem preveja São José das Varas desmembrado de Barreirinhas. Três Rios do Maranhão já não cabe mais em São Raimundo do Doca Bezerra. E São Paulo do Maranhão pode se emancipar de Bacuri. Crioli, Ebenézia, Faísa e Ibipira também são outros polos com promissoras chances de desenvolvimento, de acordo com o critério técnico e outras fufuquices do parlamento.
Criar novos municípios, portanto, gera uma conta que insiste em não fechar. Para os deputados que atualmente defendem a emancipação, o que importa são os números de agora, e não a equação de amanhã. Será que a solução é dividir a máquina? Ou o problema está nos maquinistas?
O povoado de São Francisco um dia será desmembrado de Cidelândia, que se desmembrou de Imperatriz. Itinga do Maranhão pertenceu a Açailândia, que já foi distrito de Imperatriz. O município da Raposa fazia parte de Paço do Lumiar, que pertenceu a São Luís, que pode perder agora Itaqui, Maracanã e Cidade Olímpica.
Até quando pretendem transformar o Maranhão em fração da fração da miséria? Redenção econômica não é uma simples operação matemática. Aumentar o número de municípios – alegam, por exemplo, que Minas Gerais é um estado próspero porque tem hoje 853 cidades – significa multiplicar os gastos públicos, com criação de cargos, estruturas administrativas adornadas por cabides de emprego, mordomias protocolares etc. Desenvolvimento é outra coisa.
Mais uma vez, cidadãos de pacatos povoados se enchem de esperança por dias melhores. No fundo, desconfiam que a sorte mora ao lado, no município-mãe, ou lá no fundo do fundo de participação da mãe-prefeitura.
Embora criados em 1995, os 81 municípios só foram instalados oficialmente em 1997, com a posse dos primeiros vereadores e prefeitos. Em 1999, na condição de repórter especial do jornal “O Estado do Maranhão”, produzi uma reportagem de avaliação dos primeiros dois anos de existência das novas unidades político-administrativas do Estado. Na companhia do repórter fotográfico Biaman Prado, pesquisei o processo de criação dos municípios, desde a sua origem em 1989, cruzei estradas do Maranhão e visitei lugares em busca da informação necessária para que o leitor tirasse as suas conclusões.
Da reportagem, publicada no dia 24 de janeiro de 1999, depuram-se algumas constatações:
- Os novos municípios entravam para a história em janeiro de 1997 sem nenhuma dívida. Ou seja, sem qualquer conta a pagar, cenário ideal para uma gestão planejada;
- Sem qualquer receita própria – geração de impostos, por exemplo – os novos municípios passavam a depender integralmente de repasses de recursos federais, para pagamento de folha, custeio e investimentos em obras e programas sociais;
- Poucas evidências de gestão pública equilibrada;
- O desmembramento, via de regra, decorria de uma espécie de divisão familiar de poder: o povoado escolhido para emancipação atenderia a uma conveniência de grupos políticos ou familiares locais;
- Casos de cassação de mandato, afastamento de prefeitos, tentativas de golpes nas câmaras municipais e nos tribunais;
- O caso mais emblemático da reportagem foi identificado em Bom Jesus das Selvas, município desmembrado de Santa Luzia. Ali, após uma sequência de embates entre o prefeito-padre José de Ribamar Silva Moraes e o vice-prefeito-pastor Pedro Fernandes Silva, o que se viu foi uma enxurrada de irregularidades, como atraso no pagamento de salário do funcionalismo, contratações ilegais, desvio de dinheiro público para a conta pessoal do gestor municipal e – o que é pior – pagamento de um aborto com cheque da prefeitura.
Até ali ainda não havia a figura do Boca Quente e outras aberrações jurídicas a que estamos assistido nos últimos anos. Claro que meter a mão no jarro da viúva não é privilégio apenas dos administradores dos novos municípios. A prática é velha conhecida no interior do estado.
Hoje são 217 municípios. E os 42 deputados querem fatiar o Maranhão e eleger mais do que 217 prefeitos. Há mais de 100 lugarejos na fila de espera dos gabinetes da Assembleia. Há quem preveja São José das Varas desmembrado de Barreirinhas. Três Rios do Maranhão já não cabe mais em São Raimundo do Doca Bezerra. E São Paulo do Maranhão pode se emancipar de Bacuri. Crioli, Ebenézia, Faísa e Ibipira também são outros polos com promissoras chances de desenvolvimento, de acordo com o critério técnico e outras fufuquices do parlamento.
Criar novos municípios, portanto, gera uma conta que insiste em não fechar. Para os deputados que atualmente defendem a emancipação, o que importa são os números de agora, e não a equação de amanhã. Será que a solução é dividir a máquina? Ou o problema está nos maquinistas?
O povoado de São Francisco um dia será desmembrado de Cidelândia, que se desmembrou de Imperatriz. Itinga do Maranhão pertenceu a Açailândia, que já foi distrito de Imperatriz. O município da Raposa fazia parte de Paço do Lumiar, que pertenceu a São Luís, que pode perder agora Itaqui, Maracanã e Cidade Olímpica.
Até quando pretendem transformar o Maranhão em fração da fração da miséria? Redenção econômica não é uma simples operação matemática. Aumentar o número de municípios – alegam, por exemplo, que Minas Gerais é um estado próspero porque tem hoje 853 cidades – significa multiplicar os gastos públicos, com criação de cargos, estruturas administrativas adornadas por cabides de emprego, mordomias protocolares etc. Desenvolvimento é outra coisa.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
São Luís na passarela
O projeto de homenagem a São Luís por uma escola de samba – como pretende fazer a Beija-Flor por ocasião dos 400 anos de fundação da cidade, ano que vem - não é fato inédito. Em 2010, São Luís foi celebrada no asfalto pela escola paulista Unidos do Tucuruvi, que acabou não levando o título. A escola ficou em terceiro lugar, embora tenha levado nota máxima dos jurados no quesito samba-enredo.
O carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta alçou o seu primeiro grande vôo solo no Carnaval do Rio em 1974, quando deu o título de campeã ao Salgueiro, que levou para a avenida o enredo “O Rei de França na Ilha da Assombração”. Para contar a história sobre a invasão dos franceses e a experiência fugaz da França Equinocial na Ilha de São Luís, segundo conta Fábio Gomes no livro “O Brasil é um luxo”, Joãosinho Trinta lançou mão da fantasia irreverente e desenfreada que se transformou em sua marca oficial da folia.
Em 2002, São Luís mais uma vez estava presente no Carnaval carioca com o tema “Os Papagaios Amarelos nas Terras Encantadas do Maranhão”, também sob a batuta do maestro Joãosinho Trinta pela escola Grande Rio. O enredo destacava a visão do índio sobre os invasores, os “alourados e emplumados”, apelidados pelos tupinambás de papagaios amarelos. A Grande Rio ficou em 7º lugar no desfile do primeiro grupo.
O carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta alçou o seu primeiro grande vôo solo no Carnaval do Rio em 1974, quando deu o título de campeã ao Salgueiro, que levou para a avenida o enredo “O Rei de França na Ilha da Assombração”. Para contar a história sobre a invasão dos franceses e a experiência fugaz da França Equinocial na Ilha de São Luís, segundo conta Fábio Gomes no livro “O Brasil é um luxo”, Joãosinho Trinta lançou mão da fantasia irreverente e desenfreada que se transformou em sua marca oficial da folia.
Em 2002, São Luís mais uma vez estava presente no Carnaval carioca com o tema “Os Papagaios Amarelos nas Terras Encantadas do Maranhão”, também sob a batuta do maestro Joãosinho Trinta pela escola Grande Rio. O enredo destacava a visão do índio sobre os invasores, os “alourados e emplumados”, apelidados pelos tupinambás de papagaios amarelos. A Grande Rio ficou em 7º lugar no desfile do primeiro grupo.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O correspondente

Recebi do amigo Aldionor Salgado, na caixa de email do sábado, 9 de abril, informação sobre a morte do veterano jornalista e radialista Reali Jr., aos 71 anos, vítima de enfarte em São Paulo. Aldionor relia no final de semana – e por isso me enviou a mensagem - “Às margens do Sena”, livro-depoimento de Reali Jr. a Gianni Carta publicado pela Ediouro em 2007.
Reali foi correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” e da rádio Jovem Pan em Paris por 38 anos. Manteve no seu apartamento, às margens do rio Sena e nas proximidades da torre Eiffel, uma espécie de embaixada informal do Brasil na França, por onde passaram presidentes da República, artistas, empresários e desportistas famosos. Pra conversar, beber, comer.
“Às margens do Sena” é uma saborosa leitura de final de semana e uma despretensiosa aula de jornalismo. São histórias verdadeiras, inspiradas e bem humoradas que revelam o grau de inventividade natural do repórter nato, do jornalista em tempo integral, do anfitrião afetivo, do apreciador da boa mesa e do vinho de safra festejada.
Foi viver na França pra fugir das tormentas da ditadura militar. Comunista inconfesso sob o olhar míope dos homens de farda, Reali Jr. deixou o Brasil no início dos anos 70 para armar barricadas de boas reportagens e boemia na capital de tantos exilados diletantes.
Em “Às margens do rio Sena”, Aldionor Salgado destacou trechos que remetem a cruzada parisiense de Reali Jr. a personagens do Maranhão. Logo no prefácio da obra, Mino Carta relembra a boa convivência com Reali e cita nomes evocados à mesa no tilintar das taças de tinto, como Cláudio Abramo, Pedro Cavalcanti, Rosa Freire d’Aguiar e Napoleão Sabóia. Segundo Mino Carta, a mãe de Napoleão segredara a Sarney a receita de uma tintura vegetal para cabelos precocemente encanecidos.
Napoleão Sabóia, que era correspondente em Paris do “Jornal da Tarde” e do “Correio Braziliense”, foi protagonista de uma situação hilária. Avisado de que teria um almoço-reunião com exilados e intelectuais de esquerda brasileiros no apartamento de Reali Jr., Napô resolveu levar a tiracolo um convidado ilustre. Antes, porém, telefonou para o anfitrião e perguntou: “Posso levar o Zé?” Ao que Reali respondeu: “Claro, traz o Zé”, sem saber exatamente qual era o Zé. Era José Sarney, na época presidente do PDS. Ao abrir a porta, o dono da casa ficou ao mesmo tempo surpreso e assustado com o que poderia acontecer naquele encontro regado a feijoada preparada com esmero por dona Amélia, a primeira-dama do apartamento.
“Mas Sarney, político com tarimba, comportou-se muito bem e até parecia ser um esquerdista entre os exilados. Apertaram-no de todas as maneiras possíveis, Sarney tirou de letra. Passamos uma tarde agradável”, relata Reali Jr. em seu livro-depoimento. No meio dos comensais estava o cineasta baiano Gláuber Rocha, idealizador do documentário “Maranhão 66”, que registrara a posse de Sarney como governador do Maranhão.
Pouco tempo depois de deixar a Presidência da República, Sarney visitou novamente Reali Jr. em Paris. “Nunca esqueci daquela feijoada”, teria dito o ex-presidente a dona Amélia. No depoimento a Gianni Carta, Reali diz que Sarney é “muito educado, aberto e conciliador”. O jornalista conheceu Sarney em plena campanha eleitoral para o governo do Maranhão, por intermédio do deputado ademarista Arnaldo Cerdeira. E diz que Sarney, após os compromissos políticos de rotina, frequentava com certa assiduidade as noitadas no Som de Cristal, famosa gafieira no centro de São Paulo. “Gosto do Sarney como pessoa, embora não aprecie o político”, relata Reali Jr. em “Às margens do Sena”.
Exemplo clássico de que muitas decisões importantes sobre o cotidiano político brasileiro eram tomadas literalmente às margens do rio Sena: foi numa soirée no apartamento de Reali Junior que a atriz Fernanda Montenegro encontrou forças para dizer não ao convite do então presidente José Sarney, que sonhava vê-la ministra da Cultura de seu governo, segundo conta o crítico de cinema Rubens Ewald Filho.
As referências de Aldionor Salgado apenas atiçam a vontade de quem se arrisca a reler “Às margens do Sena”, livro atual, leve e, em certa altura, arrebatador. Afinal, são histórias pitorescas, nuances da vida de quem empreendeu coberturas marcantes, como a Revolução dos Cravos em Portugal, a queda do franquismo na Espanha e a ascensão de Lech Walesa e o Sindicato Solidariedade na Polônia. E tudo vale mais a pena quando o livro se confunde com o cartão de embarque.
Aldionor Salgado fez chegar às minhas mãos, há poucos dias, preciosas folhas que se perderam lá se vão quase vinte e cinco anos: uma entrevista que fizemos com o lendário cavaleiro Luís Carlos Prestes. Mas isso é pretexto pra uma outra prosa.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Milson Coutinho renuncia à presidência da Academia de Letras

O desembargador aposentado Milson Coutinho renunciou na tarde de ontem à presidência da Academia Maranhense de Letras (AML). O pedido de renúncia, justificado por sérios problemas de saúde e recomendação médica, foi apresentado no dia 30 de novembro de 2010 e aprovado nesta quinta-feira em reunião da diretoria da AML.
Milson Coutinho havia tomado posse na presidência no dia 4 de fevereiro de 2010 para comandar a Casa de Antônio Lobo no biênio 2010/2011. Com a renúncia, assumiu a presidência o acadêmico Benedito Buzar, que concluirá o mandato até fevereiro de 2012. A eleição de diretoria da AML para o biênio 2012/2013 será realizada em novembro deste ano.
Milson Coutinho será submetido, nos próximos dias, a uma cirurgia de aneurisma na aorta.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
"400 Carnavais": louvação à folia de São Luís

Uma das novidades do Carnaval deste ano é o reencontro de artistas locais em um disco que reúne os principais ritmos da folia do Maranhão. O CD "400 Carnavais", que tem lançamento programado para os próximos dias, traz nomes como os de Alcione, Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Ronald Pinheiro, Gerude, Celso Reis, Djalma Chaves, Mano Borges, Alê Muniz e Luciana Simões, além de grupos consagrados como Bicho Terra, Jeguefolia, Vagabundos do Jegue, Cordão do Ponto Com e Bloco do Betto.
"400 Carnavais" é um disco de celebração a São Luís, aos artistas que cantam, divertem e amam a cidade e sua pintura de euforia. O CD, idealizado pela Clara Comunicação e com direção musical do cantor e compositor Betto Pereira, é a voz das ruas cantando em poesia ritmada - ora com irreverência, ora no calor da tradição - a chegada em 2012 do Quarto Centenário de fundação da capital dos maranhenses.
O CD tem 15 faixas inéditas com batidas que remetem ao bloco tradicional, ao frevo, à marchinha, ao tambor de crioula, ao merengue e ao reggae. A cantora Alcione abre o disco com o batuque de bloco "Temperô", parceria de Betto Pereira e Celso Reis. "O disco é uma forma de promover ainda mais a música de qualidade produzida no Maranhão", explica Betto Pereira. Segundo ele, o CD materializa um projeto antigo de vários artistas e que deve ter desdobramentos promissores no que diz respeito à divulgação e promoção da música do Maranhão Brasil afora.
O diretor da Clara Comunicação, Félix Alberto Lima, que também assina a direção executiva do CD, afirma que o que motivou a agência de comunicação a acreditar no projeto foi o diferencial do Carnaval de São Luís, simples e visualmente atrativo que mistura lenda e folia, serpente e serpentina. "E o chão da praça, o tempero das ruas, o batuque de mina e o gemido da coreira, tudo no mesmo cenário", acrescenta. Sobre a qualidade musical do disco, Betto Pereira diz que "400 Carnavais" é um dos melhores CDs já produzidos no Maranhão. "O disco tem padrão nacional, gravado por músicos de expressão como Sávio Araújo, com conteúdo regional e elementos universais", frisa.
Os artistas que interpretam as 15 músicas estão programando um grande show de lançamento do CD, que deve acontecer na segunda quinzena de fevereiro. O disco não é um produto comercial, tem caráter meramente promocional e já pode ser ouvido, inicialmente, nas principais rádios do Maranhão.
Repertório:
1 – TEMPERÔ – Alcione (Betto Pereira e Celso Reis)
2 – XAVECO – Celso Reis (Celso Reis e Gerude)
3 – EU QUERO É MAIS – Carlinhos Veloz (Carlinhos Veloz)
4 – ADRENALINA – BICHO TERRA - Inácio Pinheiro e Roberto Brandão (Betto Pereira e Josias Sobrinho)
5 – ME LEVA – BLOCO DO BETTO - Betto Pereira (Betto Pereira e Félix Alberto)
6 – BAILARINA – Gerude, César Roberto e Fernando Sarney (Antônio Carlos “Pipoca” Lima - Gerude – Jorge Thadeu)
7 – MICK JEGUE – JEGUEFOLIA - Erlanes (Betto Pereira e Félix Alberto)
8 – BLOCO TRADICIONAL – Ronald Pinheiro e Fernando Sarney (Ronald Pinheiro, Nosly e Gerude)
9 – DOCE AMOR – Fabrícia (Betto Pereira)
10 – CHAPADINHA – Alê Muniz e Luciana Simões (Betto Pereira e Félix Alberto)
11 – MENINA MALUCA – Erasmo Dibell (Erasmo Dibell)
12 – LOVELAND – Artistas do disco (Betto Pereira e Félix Alberto)
13 – SWING BOM – CORDÃO DO PONTO COM - Djalma Chaves (Betto Pereira)
14 – QUEM SOU EU – VAGABUNDOS DO JEGUE – Wellington Reis (Wellington Reis)
15 – VAI DANÇAR NENÉM – MANOBLOCO - Mano Borges (Mano Borges)
(release Clara Comunicação)
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